domingo, 18 de fevereiro de 2024

videoclipe, gaiola de metal & solidão

estava acontecendo a gravação de um videoclipe dentro de uma gaiola de metal, que era completamente fechada, coberta, tipo a gaiola do passeio publico, mas enorme e comprida, onde você podia andar por muitos metros, talvez até kilômetros. 

e eu estava no meio, mas eu também era a produtora/diretora. eu estava envolvida com a coisa toda. porque em alguns momentos eu também fazia parte do elenco. na verdade, pra ser sincera, eu não consigo ter certeza do meu papel ali. 

eu sei que deu alguma merda, algum não funcionou. e as pessoas se desesperavam. e eu fui avisando que estava tudo certo. que tinha dado certo e era só alguém olhar pro lado, lembrar de algo. era só algo ser percebido. 

tipo, "olha lá pra fora que você vai perceber". olha pra fora.

e daí o videoclipe terminou e todo mundo percebeu que tinha dado certo. 

e nesse momento parecia que eu tinha participado do videoclipe mesmo, porque eu já estava no meio do povo e todos comemoravam, se abraçavam, aquela sensação de final de gravação e ficamos esperando liberarem a porta da gaiola para sairmos. 
eu estava apertada com todo mundo, mas tipo muito apertada mesmo. quase abraçada com a menina que era a protagonista do videoclipe, que tinha uma vibe meio luisa sonza, sei lá porque, mas tinha. e a gente tava super feliz, tipo comemorando que tinha dado certo. e ela falou que eu tinha que ficar feliz que tinha alguém do lado de fora me esperando. e que tinha alguém que esperava ela também e eu sabia que era o namorado dela, que ela amava que tava esperando por ela. 
e meio que eu sabia que tinha o meu namorado, mas eu sentia como se eu fosse outra pessoa, que eu estava assumindo a vida de outra pessoa. como se eu estivesse momentaneamente no corpo de outra pessoa, que não era eu. 

e por algum motivo eu comecei a chorar, chorar muito alto. sabe aquele choro doído? com tudo que há dentro de si? mas ela não entendia, e dizia: "ah, pode chorar, isso é muito bom, chorar de felicidade porque você vai encontrar a pessoa que você ama."

eu comecei a morrer de pânico porque eu estava presa com um monte de gente e o portão não abria nunca e eu espremida ali. mas finalmente abriu e as pessoas começaram a sair. e foi tipo, um grande alívio.

enquanto a gente saía eu acho que eu assumi novamente a minha identidade e todo mundo foi se encontrando com os seus e eu, claro, não encontrei com ninguém. eu estava sozinha. sozinha pra caramba, como sempre.

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