esse sonho eu tive já faz algum tempo, mas ele merece um lugar para descansar sua cabecinha, então, nada mais justo:
eu comecei a pular de uma realidade para a outra. o jeito que eu sabia que eu tinha pulado de realidade era a existência do Maipo, o meu cachorro.
ele não estava lá, e quando eu chamava, ele era criado automaticamente, como se fosse gerado ali na hora, porém sempre aparecia como filhote.
resolvi pintar minha tatuagem da Mary Poppins de preto, pois pensei que assim era mais fácil perceber em qual realidade estava. algumas vezes eu ia de uma pra outra, e em algumas a tatuagem aparecia normal e noutras percebia a tatuagem pintada. uma loucura.
o engraçado é que tudo acontecia nessa casa, uma casa linda, enorme, com diversas pessoas, que eu acho que eram da minha família. não lembro de conhecer aquelas pessoas, as vezes sinto que minha mãe estava sempre lá, e minha irmã uma ou duas vezes. mas elas não tinham as feições da minha mãe e irmã dessa vida, mas sim a energia que elas tem aqui. eu simplesmente sabia que eram minha mãe e irmã. não consigo explicar isso. mas enfim. é isso. tudo era sempre igual exceto por esses pequenos detalhes.
existia esse senhor também, que parecia ser alguém bem idoso, algo como um bisavô e ele estava me explicando sobre a vida. acho que ele era um escritor, ou alguém muito importante, famoso por ser um intelectual, um literato. ele tinha um caderninho, onde anotava coisas. nós conversamos sobre o fato da minha mãe ser completamente diferente das irmãs dela, que isso era muito estranho. ele justificava dizendo que ela era a mais parecida com ele. eu o agradeci muito, pois minha mãe era/é maravilhosa, então eu devia isso a ele.
quando eu percebi todo esse processo, eu comecei a tentar falar para as pessoas sobre isso. eu queria explicar pra pessoas nessa nova realidade que nada era real. e queria desesperadamente voltar para a minha realidade atual.
de repente eu ja estava para descobrir o sentido da vida, ou tipo a “zona final”. era como se eu ja tivesse avançado demais no tempo e ia descobrir como funcionava tudo.
alguém comentou que devia ser incrível ser Deus, porque era como estar num oceano com todas as possibilidades do mundo.
então eu entrei numa especie de elevador e conforme ele se movia (não sei se subindo ou descendo), pessoas entravam e saíam dali. e eu precisava fazer escolhas, era quase como um jogo, como se eu estivesse competindo com toda essa gente, pra ver quem ia conseguir atingir essa “fronteira final”.
e as pessoas iam morrendo pelo caminho, era tenebroso, extremamente cruel - lembro de uma cena vívida de uma porta de elevador fechando na cara de um pessoa, e o que ficava para trás era o nada. era como ir condenando todas as pessoas ao zero infinito.
pois bem, eis que me encontro agora em algum lugar e tem uma espécie de garrafa de vidro enorme, grande na base e com um pequeno gargalo. é enorme mesmo, tipo do tamanho de duas pessoas. o gargalo ficava na minha altura.
eu tenho pouquíssimos segundos pra jogar ali dentro 3 coisas que são importantes pra mim. as coisas mais importantes. há uma voz que me instiga a fazer tudo muito rápido. mas meio que não me resta mais nada. então eu jogo o Maipo (ou a idéia dele), um peixe (???) e eu mesma.
de repente estou no fundo do mar. eu consigo respirar ali, o que é um alívio. mas é tudo desforme, escuro, vazio. desesperadoramente vazio. eu vejo o peixe que joguei caindo ao meu lado, ele parece inanimado, como se fosse feito de couro, costurado. não é um peixe real. fico sem saber se o que joguei era um chaveiro de peixe, porque era o que me restava nos bolsos, não sei nem dizer. é uma coisa sem sentido, uma abstração de coisa nenhuma.
vejo o Maipo correndo na minha direção, mas ele se desfaz, como se fosse feito de areia. era uma ilusão dele. me parece que é o último vestígio de algo familiar.
então me vejo só ali. completamente. e ouço algo: aqui é o ponto final. essa é a sua eternidade, com as 3 coisas que você considerou mais importante. agora você pode fazer o que quiser.
e bem, eu era Deus.
num oceano. com todas as possibilidades do mundo. e eu nunca me senti tão apavorada, tão desolada, porque aquilo ali, aquilo… era o nada. e eu estava condenada a ele pela eternidade.